domingo, 17 de fevereiro de 2013

A "Nova Política" de Marina e sua Rede de Sustentabilidade. Novos paradigmas para o debate político nacional?


Falar sobre partidos nunca é uma missão grata quando se tenta seguir pela imparcialidade, pois é de sua natureza intrínseca o todo social, as questões mais profundas da sociedade, sejam programáticas ou mesmo morais.
Qualquer um que se identifique com algum partido o faz por achar que esse é o que reúne a maior parte de suas ideias, posições filosóficas, econômicas, culturais, políticas e morais. Existem também aqueles, cada vez em maior número, que o escolhem por cálculos utilitaristas e pragmáticos, e que divergem ou ignoram qualquer parte do programa partidário. mas tanto um como outro defendem o partido ou como parte de si ou como algo valioso para o sucesso próprio.
Então, falar mal de um partido agrada a alguns, mas cria ódio em outros. E falar mal de todos os partidos, além de senso-comum, cria ódio em muitos. Por isso, um pouco de paciência e longanimidade ao ler este artigo.
Estes dias a ex-senadora Marina Silva, terceira colocada nas últimas eleições presidenciais com mais de 20 milhões de votos, anunciou oficialmente que está fundando um novo partido, o Rede Sustentabilidade (caiu a obrigatoriedade de ter "partido" no nome, vide o DEM). Na verdade, é só um anúncio de uma intenção, que deverá ter a coleta de mais de meio milhão de assinaturas no país e tantos por cento em alguns estados, enfim, como pede a legislação, e nada diferente do que ela vem prometendo há pelo menos dois anos quando saiu do PV.
Mas o que me surpreendeu foi a corrida para execrar o partido, advinda da esquerda fashion, da esquerda laissez faire, da esquerda oitocentista (aquela que ainda quebra as máquinas e não elege ninguém) e mesmo da direita estabelecida. Os adjetivos mais comuns eram de "conservadores" "falsos capitalistas" ou "liberais enrustidos" advindos da esquerda e de "demagógicos" e "irreais" advindos da direita.
Longe de mim vir advogar por algo que nem existe e nem sei o que será de fato. Li pouco sobre suas teorias, filosofias ou bases de sustentação para sair atacando ou defendendo. Minha preocupação não é com o Rede em si, mas com os demais, e como reagiram.
Há cerca de 2 anos surgiu o PSD, partido criado de dissidência do direitíssimo DEM (ex PFL, Arena) e que recebeu vigorosa adesão de políticos da esquerda, direita, centro, oposição, governo, etc. Todos cabiam no partido que se autodeclarava sem posição política e que não tinha dedos em levantar bem alto a bandeira do fisiologismo e da "velha política". Esse partido portanto não tinha ambições sociais, projeto de nação, posição ideológica ou mesmo fato novo algum para oferecer, era meramente e assumidamente um cartório eleitoral, uma zona franca para rearranjos de poder e carguismo.
Quantos bateram nele? Um aqui, outro ali, logo tolidos por suas direções pois por mais indecentes que fossem as "bandeiras" do PSD, elas eram realíssimas e valiosíssimas na política partidária nacional. Elas são o plano real, pragmático e não romantizado que a maioria dos partidos escondem por trás de siglas e falsas ideologias.
As direções partidárias contiveram a indignação de suas bases pois reconheciam bem que este partido não representava nenhum tipo de perigo ideológico, mas sim um perigo burocrático. Não era o tipo de partido que roubaria eleitorado, mas o tipo que ganha o poder pelos bastidores se não ficar atento. portanto, nada de bater, vamos cooptar, coligar, aproveitar o escancarado fisiologismo, pois ele nascia desprendido de amarras éticas de se aliar com a esquerda aqui e com a direita ali. Era o sonho de qualquer governo, de qualquer instancia, um aliado esponja.
Já o Rede é o contrário. É um partido novo que não pretende declaradamente disputar os porões do poder, mas que se pretende protagonizar no embate eleitoral e ideológico, seja lá qual for sua classificação neste espectro. É um partido antes de tudo de causas populares, ou melhor, simpáticas ao cidadão médio: moralismo, ascetismo político, ética, economicismo, realismo (nada de divagações doutrinárias e ideológicas) e liberal (no sentido da liberdade individual de pensar).
O Rede ainda não existe e é difícil de saber se tamanhas mudanças são conciliáveis com um partido dentro do nosso sistema eleitoral. Difícil saber como no mundo das ações se comportará esse partido do mundo das ideias. Mas uma coisa é clara: ele protagonizará de alguma forma, se medirmos pela repercussão e engajamento em atacá-lo advindo dos demais partidos. Aliá esse é seu objetivo. talvez marina tenha até gostado dos ataques sofridos daquilo que ela chama de velha política.
Em alguns meses devo me enfronhar com denodo na construção de minha monografia sobre os dilemas da representação política e sobre os limites e as questões que envolvem os grupamentos humanos e de ideias chamados partidos políticos. Mas certamente acompanharei a formação deste "partido" com interesse acadêmico. Me parece, repito, propor algo inexequível dentro do atual sistema legal e cultural da nossa política.
Mas, levantado temas tão polêmicos como a sublimação da dicotomia esquerda x direita, disposto a se debruçar sobre bases tão profundas como os processos e hábitos de consumo e produção e declaradamente empenhado em ressignificar a intermediação de poder pela representação política no objetivo de resgatar a gênese do direito individual ante o coletivo, o Rede é um experimento das ciências políticas espontâneo e não analisá-lo como cientista social por restrições ideológicas e partidárias seria um grande erro.
Minimamente ele trará para o debate questões cruciais que exporão o anacronismo de nossa política atual que nenhum outro partido, seguindo a cartilha existente, poderia fazer. Talvez ele não colha frutos na política atual, mas lance base para debates que apontarão a política futura, ou como dizem alguns antropólogos à exaustão: um novo olhar com novas lentes sobre a mesma questão, até agora invisibilizada pelo método em uso.

domingo, 19 de agosto de 2012

A verdade sobre o mito do voto nulo.

  • O voto nulo anula as eleições caso atinja mais de 50%?
  • Qual é a diferença do voto nulo para o voto em branco?
  • É verdade que em caso de mais de 50% de voto nulo, os candidatos não podem mais concorrer?
Para esclarecer estas e outras dúvidas, um rápido texto.

Legalmente, voto branco e nulo, depois de 1997, são praticamente iguais. Não vão pra candidato nenhum e não entram no cômputo dos votos válidos, ou seja, eles nem existem na hora de calcular o quoeficiente eleitoral. 
Mas então porque existem os dois, e não um só?

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